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Entenda como capacitação e profissionalização podem evitar conflitos e contribuir para melhores resultados em empresas familiares

 

Por: Juliana Fernandes

 

No mundo todo existem empresas com gestão familiar. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Sebrae em 2016, 95% das 300 maiores empresas do mundo são controladas por famílias, e 80% de todas as empresas abertas em nível mundial também são familiares. No Brasil, o cenário não é diferente: as empresas familiares, segundo dados do Sebrae e do IBGE, geram 65% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e empregam  75% da força de trabalho, além de representarem 90% dos empreendimentos no Brasil.

Números tão expressivos podem levar à conclusão de que esse modelo de negócio é sucesso garantido, entretanto inúmeros fatores podem contribuir para o fracasso e até para a falência da empresa. De acordo com a consultora do Sebrae Rachel Dornelas, há muitos desafios enfrentados pelas empresas familiares, sendo a sucessão o maior deles. Somente um terço das empresas consegue realizar com êxito a troca de comando da primeira para a segunda geração. Os fatores que mais dificultam o processo de sucessão, segundo a consultora, são os conflitos familiares e os engajamentos dos funcionários com as gerações futuras. “Além dessas questões, as empresas familiares também enfrentam outras dificuldades, como centralização da tomada de decisões, parcialidade nas políticas de recursos humanos e não separação entre família e empresa, tanto nas finanças quanto nos conflitos emocionais”, destaca.

 

Profissionalização da gestão

Fazer a separação entre as questões profissionais e as familiares é fundamental para a saúde da empresa, mas nem sempre é fácil, e muitas vezes o hábito de levar problemas de casa para o trabalho e vice-versa resulta em conflitos familiares responsáveis por grande parte da taxa de mortalidade dessas empresas. “Uma estratégia que pode minimizar esses problemas é a profissionalização da gestão, que consiste na revisão geral do modelo de administração da empresa”, explica Rachel. Para ela, esse processo tem como fundamento orientar a separação entre a propriedade e a gestão, substituindo critérios subjetivos por critérios objetivos e permitindo o ingresso de participantes da família na gestão da empresa, desde que tenham a qualificação adequada. “Outro recurso que pode contribuir para a diminuição dos conflitos é o Acordo Familiar, assinado por sócios e familiares, que estipula as regras entre a família, a sociedade e os próprios sócios. O Acordo trata de assuntos importantes, como escolha dos sucessores, critérios de ingresso, carreira e desligamento de membros da família, uso de bens e serviços da empresa pelos familiares, entre outros”, explica.

Conflito
de gerações

Rachel afirma que o conflito de gerações pode fechar a empresa. Ela explica que as novas gerações desejam alterar a forma como a empresa é administrada e implantar inovações, mas os mais velhos acreditam que “em time que está ganhando não se mexe”. “Muitas vezes o fundador, mesmo com os filhos crescidos, não os vê como adultos, e sim como crianças sem condições de tomar decisões sozinhas. Isso prejudica a preparação dos herdeiros e aumenta a centralização no fundador, que sofre por não conseguir abrir mão do comando da empresa. Já o herdeiro precisa que o fundador se afaste para se tornar referência para funcionários, fornecedores e clientes e se desenvolver nos processos de tomada de decisões”, observa a consultora.

Uma das formas de equilibrar essa questão, de acordo com Rachel, é realizar um plano de sucessão cuidadoso e, principalmente, planejado com antecedência, que deve ser visto por uma perspectiva mais ampla, uma vez que outros atores – família, clientes, empresas e funcionários – têm relação direta com a sucessão, interferem no processo sucessório e também sofrem influências no período da troca do comando.

 

Descentralizando a gestão

O problema da centralização das decisões também é apontado pelo professor de Finanças Corporativas e Gestão Financeira da IBE Conveniada FGV Alexandre Strutz como um dos mais relevantes na gestão familiar: “De fato, quando a empresa é criada, todas as decisões partem do seu idealizador, mas, com o passar do tempo, com o crescimento da empresa, a abertura e a maior competitividade do mercado, é exigida na gestão maior aprofundamento em diversas áreas do conhecimento, e as decisões devem ser tomadas após amplo debate dos impactos e riscos que serão gerados nas diversas áreas. Com o crescimento da empresa, o profissional que é o “faz-tudo” perde espaço para o especialista. A profissionalização, que é a busca das melhores pessoas para os diversos cargos, passa ser o segundo grande desafio do empresário”, destaca. 
 

Capacitação e profissionalização das equipes

A capacitação é fundamental para a sustentabilidade de qualquer negócio. Para uma empresa familiar é importante que os herdeiros sejam capacitados para atuarem como gestores da empresa. “Apesar de os conhecimentos técnicos serem importantes, são as habilidades de gestão que farão a diferença na continuidade e na expansão do negócio. Entretanto, em se tratando de herdeiros e futuros sucessores, uma das principais fontes de desenvolvimento é a experiência fora da empresa, o que faz com que o sucessor adquira conhecimentos não viciados, além de dar mais disciplina à sua carreira. A capacitação não envolve somente aspectos internos, mas também contatos com bancos, fornecedores e clientes”, orienta a consultora do Sebrae.

Entretanto, Rachel defende que o sucessor deve ser escolhido não somente por sua qualificação técnica. Ele deve ter determinadas características pessoais para lidar com os conflitos e relacionamentos familiares, além de apresentar um perfil profissional compatível com a estratégia da empresa. A consultora também destaca a importância de contar com perfis diversos de pessoas na empresa: “A diversidade em uma empresa é sempre bem-vinda quanto à origem (se é do mercado ou da família), ao gênero,  à cultura, às diferenças físicas e étnicas, às crenças, aos estilos de vida, às classes sociais, etc.”, finaliza. 

 

Dados das empresas familiares no Brasil

  • 95% das 300 maiores empresas são controladas por famílias.
  • 80% das empresas existentes no mundo são familiares.
  • Mais de 50% do PIB dos EUA é gerado por empresas familiares.
  • 70% dos empreendimentos familiares no mundo não resistem à morte do fundador.
  • 75% de empresas norte-americanas são familiares e empregam cerca de 55% da força total de trabalho.

Fonte: Pesquisa Empresas Familiares (2017) – Sebrae

 

 

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